O Patife
Entre trancos, tropeços e soluços, o homem traçava seu caminho pela noite fria. Embriagado de vodka e volúpia, delirava com as sensações mais finas e cotidianas de seu passeio noturno. Seus pés sentiam uma deliciosa e infantil dormência no caminho de paralelepípedos. Os cabelos curtos, que não deixavam de esvoaçar, eram como longos e molhados, daqueles dias de longas horas nadadas em piscinas frias. Suas lágrimas tinham um gosto um pouco salgado, mas não eram lágrimas quaisquer. Eram aquelas lágrimas saboreadas de surpresa, em instinto, sem definição de sabor excessivamente doce ou salgado, fruto de um choro tristemente reprimido e ao mesmo tempo alegremente explosivo. Ambos sentimentos controvérsios caminhavam em sua mente, coração e ainda, passeavam nas "veias" de seu corpo, juntamente com o álcool.
Na calada rua do Café, no centro da cidade, batia-lhe uma emoção fotográfica e uma vontade de gritar, colocar pra fora toda essa energia, e retorná-la, quem sabe, com um belo café preto. Abrindo a porta do local, logo um segurança olhou para ele desconfiado. Sem notar a presença da maioria das pessoas abria o caminho como desejava até o balcão. Ainda soluçando pediu ao garçom um xícara de café. O garçom hesitou, mas logo virou de costas para serví-lo. Ainda olhava por trás do ombro enquanto preparava a xícara. O homem sentia sua cabeça pesar ora pra esquerda, ora direita, ora trás, ora frente, ora para esquerda e frente, ora a chacoalhava e o peso momentâneamente cessava. Com um "Senhor" falado de má vontade, o homem retornou de sua pequena viagem mental a um alto (não tão alto) pico (ou quase) urbano dos observadores de viajantes casuais com destino ao litoral. Riu e disse:
- A Anchieta tem duas luas - e jogou dois reais e vinte e cinco centavos na mesa, fazendo com que o garçom desistisse de chamar o segurança para expulsar o homem. Afinal, ninguém em sã consciência diria que uma estrada tem duas luas. Ainda mais hoje que o garçom não é visto como o conselheiro e bom ouvidor.
O homem virou-se para todas as mesas. Até então tinha dado as costas a todos. Um silêncio um tanto desagradável para qualquer sóbrio. Todos, sem excessão o observavam. Aproveitou o momento para liberar a energia e bradou:
- CHEGA DE SAUDADE! - Riu sozinho e tão alto que o segurança fez menção de ir ao seu encontro. Mas, em menos de 1 minuto, o homem tomou seu café e retirou-se tão sóbrio quanto qualquer outro cliente.
Avistando a lua e a noite linda que fazia lá fora (muito fria, mas linda), berrou novamente:
- CHEGA DE SAUDADE! - e continou sua caminhada, embriagado e preenchido de vida, sem ao menos saber por onde trilhar.

A Espera na Estação... e o Caminho no Vagão...
- A Anchieta tem duas luas - e jogou dois reais e vinte e cinco centavos na mesa, fazendo com que o garçom desistisse de chamar o segurança para expulsar o homem. Afinal, ninguém em sã consciência diria que uma estrada tem duas luas. Ainda mais hoje que o garçom não é visto como o conselheiro e bom ouvidor.
O homem virou-se para todas as mesas. Até então tinha dado as costas a todos. Um silêncio um tanto desagradável para qualquer sóbrio. Todos, sem excessão o observavam. Aproveitou o momento para liberar a energia e bradou:
- CHEGA DE SAUDADE! - Riu sozinho e tão alto que o segurança fez menção de ir ao seu encontro. Mas, em menos de 1 minuto, o homem tomou seu café e retirou-se tão sóbrio quanto qualquer outro cliente.
Avistando a lua e a noite linda que fazia lá fora (muito fria, mas linda), berrou novamente:
- CHEGA DE SAUDADE! - e continou sua caminhada, embriagado e preenchido de vida, sem ao menos saber por onde trilhar.



1 Comments:
Vou te copiar tá??....
"carrego-te sempre comigo"...
bjussss
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