22 Julho, 2008

O Segundo Passageiro

Tudo pareceria normal, talvez ocasionado pelo sono. No entando, sem pedidos ou gentilezas, o silêncio conseguiu uma carona. Em determinado momento, talvez em algum cruzamento da rua sacramento com alguma daquelas ruas que se conhecem até moradores mas, delas não se sabe nem o nome, os quatro pensavam na mesma coisa. O banco de trás mais tênue, curiosamente silencioso. O da frente, angustiado.

O rapaz pensava que todas aquelas explosões invasivas eram mais complexas que uma simples compreensão por pensamento. Sensações aflitivas e indefiníveis para ele até então o atordoavam mais que o quarto passageiro. Depois de tentativas frustradas de dormir, pensou até conseguir assimilar o que considerara incompreensível.

Assim como ele, todos os seres humanos em seus momentos mais instropectivos, emocionais e angustiantes tomam atitudes que até podem ser analisadas porém, dificilmente podem ser julgadas. E ao ouvir o cantou rouco do galo, não desejou compreender coisa alguma. Tudo o que pensava ou sentia não mudaria por nada. A não ser talvez por uma pisada em seus óculos ou um assassinato de um parente seu.

Com tudo e apesar de tudo, ao entender o que mais se pensou naquela carona, só lamentou não receber um beijo de boa noite de quem tem o melhor abraço do mundo.


Lapis

Compreender é preciso?

1 Comments:

Blogger Paula Cristina said...

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

3:52 PM  

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